13 - Seleção de Bruno Tolentino

Poemas Brasileiros

Grandes Poemas Brasileiros
Aula 13 - 03.06.2013

Grupo de Literatura Landmark
 
Discussão e comentários acerca de dois sonetos de A Imitação do Amanhecer, 2006, de Bruno Tolentino:

II.87

Penso na Cruz, naturalmente…E se a resisto,
entendo que me agrava assim, quando me pesa
porque me restitui ao real, à nobreza
agônica de tudo. Subo a colina e um misto

de escuridão e de lanterna é quanto avisto,
os vaga-lumes que há no ser…Se a realeza
coroada da graça de morrer como a presa,
não como o arqueiro ou sua flecha, como o Cristo,

se essa agonia de monarca sem reinado
não for minha alegria, de que hei de viver?
Se o meu calvário é Alexandra, é esse passado

que me ilumina como um falso amanhecer,
minha cruz nem sequer é minha, mas do ser
que se abraça a um vazio e morre, o ser amado.

III.39

A vida toda é um relicário itinerante,
uma precária coleção de alumbramentos
se apavorando, enquanto as pétalas do instante
vão-se arrancando, enquanto soltam-se nos ventos,

braços abertos, os relâmpagos violentos
do amor. Ah, a interminável noite em que o diamante
cai e estilhaça-se entre abraços, entre o amante
e a coisa amada, ah, a doce fábula em fragmentos!

Aquele amor, aquela noite perfumada
que se esbatia contra asas da alvorada,
foi todo assim, um delicado amontoamento

de aparições, Alexandria, e, fragmento
a fragmento, estilhaçavas na calçada
nossos cristais, fabulações do teu fermento.

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