11 - Seleção de Carlos Drummond de Andrade

Poemas Brasileiros

Grandes Poemas Brasileiros
Aula 11 - 13.05.2013

Grupo de Literatura Landmark
 
Discussão e comentários acerca de dois poemas de Carlos Drummond de Andrade publicados em Farewell, 1996:

VERBOS

Sofrer é outro nome
do ato de viver.
Não há literatura
que dome a onça escura.

Amar, nome-programa
de muito procurar.
Mas quem afirma que eu
sei o reflexo meu?

 

Rir, astúcia do rosto
na ameaça de sentir.
Jamais se soube ao certo
o que oculta um deserto.

Esquecer, outro nome
do ofício de perder.
Uma inútil lanterna
jaz em cada caverna.

Verbos outros imperam
em momentos acerbos.
Mas para que nomeá-los,
imperfeitos gargalos?

O PESO DE UMA CASA

La maison de mon père était vaste et commode
merecia de mim um soneto ou uma ode.

Eu não soube entendê-la eu não soube trová-la.
Só resta, exígua estampa, o frescor de uma sala.

Aquela egrégia escada, aquela austera mesa
sumiram para sempre em lances de incerteza.

Caem móveis em pó, e ondulantes cortinas
deixaram de esvoaçar no silêncio de Minas.

Ouço o tlintlim de um copo, o espocar de uma rolha,
sonidos hoje iguais ao virar de uma folha.

Cada tábua estalando em insônia sussurra
a longa tradição da família casmurra.

E os passos dos antigos, a grita das crianças
migram do longe-longe em parábolas mansas.

Perco-me a visitar a clausura dos quartos
e neles eis entrevejo no escorrer de lagartos,

Formas acidentais de uma angústia infantil
a estruturar-se logo em castelo febril.

Sou eu só a portar o peso dessa casa
que afinal não é mais que sepultura rasa.

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